Três anos aqui na Europa e queria visitar um país muçulmano. É muito legal conhecer lugares aqui perto, todos arrumados e exemplos de organização, mas eu acho que a idéia de viajar consiste também em conhecer realidades das suas para ter uma visão de mundo mais rica, para perder preconceitos em relação aos outros povos e tomar algumas lições para si.
Quatro amigos endossaram a ideia e toparam vir juntos. No final de abril, achamos um preço bom para uma passagem de três dias no Cairo, pela Air Berlin. Claro, não tão barato quanto as passagens para os destinos da Ryanair, mas por quase a metade do menor preço que a Lufthansa oferece. Além do mais, poderíamos ir e voltar do aeroporto de ICE, o trem-bala alemão.
Compramos nossas passagens e fomos nessa.
Dia 7 de maio iríamos sair de noite, então resolvemos fazer uma parada rápida em Colônia e Bonn. Era caminho com o trem, podíamos parar de graça.
De noite, tudo pronto, fomos para o aeroporto. Quando nos surpreendemos e vimos que o vôo iria atrasar uma hora e meia.
Chegamos ao Cairo por volta das 3 da madrugada. Muita gente no hall de entrada do aeroporto. Gente que parece ter vindo de todos os países muçulmanos e africanos em geral. Para quem queria um choque de culturas, era um prato cheio.
Compramos nosso visto, a €15 cada um. Passamos por um oficial da alfândega não muito simpático, buscamos nossas malas e saímos. Na saída, já havia um cara do hostel nos esperando, com “Pedro” escrito num papel. E uma frase que nós escutaríamos várias vezes: “Welcome to Egypt”. Mais um continente, gurizada, o 23° território.
Atravessamos o Cairo com umas manobras que fariam a Avenida Paralela em Salvador parecer a Alemanha, e chegamos ao hostel. Um senhor dormindo em cima de uns papelões, próximo à entrada (aparentemente um porteiro, mas parecendo um mendigo pelas condições em que dormia), nos deu uma noção do lugar que iríamos encontrar. O lugar era tenebroso! Mas igual, pagamos €6 a diária :)
Mas pelo menos o quarto era arrumado, e as instalações, limpas.
Dormimos.
Começamos o primeiro dia no Cairo com o que todo turista faz: um passeio pelas pirâmides. E como todo turista de primeira viagem no Cairo: pagando bem mais que o necessário.
É muito fácil se deixar seduzir pela taxa de câmbio de 7 libras egípcias (EGP) por 1 euro e achar tudo barato, mas sempre te passarão preços muito mais caros da realidade. Parece ser moralmente aceitável achacar turistas. Pagamos 100 EGP por um transfer às pirâmides, bem acima do preço de um taxi (não mais que 20 EGP), e chegamos lá, fomos apresentados a um cara “amigo” do dono do hostel que teria camelos e cavalos para passeios no deserto. O cara queria um preço inicial de 360 EGP por um tour “grande” de 2 horas no deserto. Choramos, choramos, até conseguir por 200 EGP. Depois ficamos sabendo que um egípcio não teria pago mais que 25 EGP nisso.
Mas tudo bem. Todo mundo estava muito mal acostumado com as coisas certinhas da Europa. Pegamos essa malandragem no primeiro dia, e no segundo e terceiro não cometemos os mesmos erros.
Nunca tinha andado a cavalo antes, que dirá camelo… (bem, eu posso dizer que andei a camelo antes de andar de cavalo!) Depois de superar o medo de altura, comecei a gostar do simpático Bob Marley e do seu passo cadenciado.
Fomos andando para o complexo das pirâmides. Nossas carteiras de estudante não valiam lá. Um cara (Alex) estava sobre um dos cavalos, e uma criança orientava os camelos, puxando-os por uma corda. Um absurdo… mas aparentemente é comum no local, o tal do Alex falou que começou como a criança. Demos uma gorjeta para a criança. Pensei em deixar também algo que os caras não pudessem tomar depois… daí deixei uns salgadinhos que tinha na mochila.
Chegando na entrada, vem um cara colocando um turbante vagabundo na tua cabeça, e depois te cobrando 30 EGP. Mas vá pra “§$”%$%&$%”!!! Eu não paguei. Devolvi pra ele e pronto.
Chegando lá, os mesmos malandrões querendo te passar a perna… um menino de uns 14 anos que me deu um turbante porque “achou legal” que eu era brasileiro, depois pediu umas moedas… depois um cara com um camelo que se ofereceu para tirar umas fotos com a gente, depois achou pouco os dois euros de gorjeta que eu deixei. Welcome to Egypt! Depois vi os mesmos caras tentando achacar uns turistas franceses… tentei alertá-los, “Ne regardez pas personne aux yeux”, não olhe ninguém nos olhos.
Chegamos lá, a mesma visão há 4500 anos….
Sim, o calor estava muito forte… acabei colocando uma calça na cabeça.
Voltamos para o hostel. Antes, fomos conhecer pirâmides mais antigas que as de Gizé (onde estávamos): as de Djoser, em Saqqara, que têm 4700 anos. Elas foram a primeira tentativa de se fazer pirâmides no Egito.
Baba, ali, Baba!
Depois, fomos conhecer o Museu Egípcio. Lá, existem muitas relíquias do antigo Egito em excelente estado de conservação. Entre eles, o sarcófago e a máscara de Tutancâmon, praticamente perfeitos, descobertos só no século 20. O sarcófago interior é de ouro maciço, e os detalhes são incríveis. Infelizmente não podemos tirar fotos lá dentro. Chega a ser incrível, quando se pensa que muitas vezes não se encontra nem ruínas romanas nesse estado.
De noite, fizemos um passeio no Nilo. Incluía um jantar. Uma cantora ao som de um tecladinho Yamaha comandava a parada.
Temos belas visões do Nilo e do Cairo a partir desse barco.
No iPod, o famoso Khaled. Apesar de ele ser da Argélia e não do Egito.
Dentre elas, a Cairo Tower, o maior prédio do Cairo. Ao fundo, na foto abaixo.
Depois de duas horas, fomos para a estação de trem comprar nossa passagem para Alexandria. No caminho, encontramos uma bela feira.
Iríamos sair às 10h do Cairo, e voltar às 19h de Alexandria (são 2h15 cada trecho). Nada muito tranquilo: o conceito de fila é algo abstrato na sociedade egípcia. Fiquei pacientemente no caixa, tentando explicar em inglês para o caixa o que eu queria. Enquanto fazia isso, a cada instante vinha um egípcio esticar a mãozona para comprar uma passagem, ou pedir uma informação. Finalmente, nos fizemos entender… fui comprar a passagem, e enquanto isso ficava o resto da galera dando cobertura para evitar que alguém se embrenhasse e interrompesse!
Dia concluído… 6h de sono, e vamo nessa para Alexandria!
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