terça-feira, 18 de maio de 2010

A mistura do Brasil com o Egito, parte III

No terceiro dia, nosso objetivo era conhecer o Cairo Islâmico e o Cairo Cóptico.

Pegamos um táxi e fomos até a Citadela de Saladin. Não há metrô para lá; embora pudéssemos descer na estação mais próxima e ir andando, certamente andaríamos bem uns 2 km no trânsito maluco do Cairo, ou seja: nem um pouco recomendável. Pegamos um táxi ali na Talaat Harb Street, negociamos um preço de uns 15 EGP para nós cinco, e fomos nessa.

À direita, a citadela; à esquerda, a cidade dos mortos, antigo cemitério do Cairo onde muitos pobres decidiram fixar residência e, segundo eles, vivem em perfeita harmonia com os que passaram para o lado de lá.

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Pagamos uma pequena taxa, atravessamos os muros da citadela, e lá estava ela: a Mesquita de Mohammed Ali, um dos cartões-postais do Cairo. Aliás, é o mesmo que dizer que é a mesquita de João da Silva, no Brasil… porque o que tem de Mohammed e de Ali aqui não está no gibi.

O estilo da mesquita é otomano e é inspirado nas grandes mesquitas de Istambul.

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A citadela fica num morro e foi sede do governo egípcio até o século 19.

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Detalhe das colunas e do minarete.

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É a partir dos minaretes (essas torres altas) das mesquitas que os muazzin chamam os muçulmanos para rezar para Alá, cinco vezes ao dia, com seus cânticos. Hoje, claro, isso não é feito mais por uma pessoa cantando bem alto, e sim por alto-falantes e sistemas de som. Os chamados à reza que podem ser ouvido de todos os cantos da cidade com certeza serão uma das nossas impressões mais vívidas do Cairo.

A esse horário, é batata: vêem-se vários muçulmanos prostrados nos jardins, até mesmo na rua, testa encostada no chão, rezando para Alá. Infelizmente não tirei fotos, não é algo muito amistoso de se fazer (para não dizer que é algo completamente sem noção).

Do alto da citadela, próximo à mesquita previamente citada, tem-se uma visão panorâmica do Cairo. Não é possível apoiar-se sobre o muro para tirar fotos (tiramos a uma distância de um metro da batente do muro). Para atravessar a cordinha e tirar mais de perto, o que se precisa? Sim, uma gorjeta para o guardinha! O universal baksheesh.

À direita, a mesquita do Sultão Hassan. Veja como prédios sem reboco são a norma na cidade. Aliás, os prédios parecem constantemente sujos de poeira: natural, quando há poeira do deserto no ar o ano inteiro.

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Tiramos os sapatos e entramos na mesquita. Abaixo, o pátio.IMG_6169Egito 692

Essa mesquita parece um caixote gigante. Aparentemente, aqui também deve funcionar uma madrassa, uma das famosas escolas do Corão.

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Dentro, as imagens são insólitas para pagãos ocidentais infiéis neo-liberais e imperialistas.

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E viva o timer da câmera!

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Iluminado por Alá. Infelizmente tinha alguém entre a luz de Alá e eu…

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Uma vista da mesquita a partir de outro ângulo. Legais as cúpulas brancas.

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Andando pela citadela, vemos muralhas,…

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… jardins, …

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um pequeno museu militar,….

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uma representação sobre as eras do Egito e seus respectivos heróis, …

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E mais outra mesquita, a mesquita de Suleiman Pasha. O bom desse passeio na citadela é que fugimos do tumulto do Cairo e dos vendedores insistentes: ali,  havia poucos turistas.

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Não, abaixo não é um imã muçulmano comandando o culto.

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Tumbas otomanas na parte de trás da mesquita.

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Saímos da citadela e fomos agora para o mercado de Khan-al-Khalili, feira mais famosa do Cairo. Aqui é o típico bazar árabe: muitas quinquilharias, artigos de artesanato, muita negociação, e vendedores muito (eu disse MUITO) insistentes e velhacos, como diz meu pai.

Hoje em dia, acho que se tornou apenas um point para turistas, mesmo.

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E a negociação aqui é forte. Quando o vendedor vê que você é turista, joga o preço lá em cima. Uma ocasião, estava procurando uma miniatura de Nefertite lá para casa. Depois de negociar em várias lojas, sabia que o preço não deveria ser mais que 30-40 EGP. Eis que chego em uma, e o vendedor lança o preço inicial: “150 EGP!!!!”, vendo que era estrangeiro, com um baita guia escrito “Egypt” na mão e falando Inglês.

Ao que faço que vou embora, chega outro vendedor da mesma loja, que percebeu que eu tinha noção dos preços, e corrige: “Não, não, é 50 EGP”. Ah, tá…

Por outro lado, tive a confirmação nessa viagem de que realmente tenho cara de árabe. Cheguei numa barraca (já sem o guia Egypt na mão), o vendedor não estava, e veio um me avisar em árabe. Depois, começamos a falar com um vendedor muito gente boa -- o mesmo que contou para a gente dos preços do passeio de camelo – que mandou essa: “Você parece um perfeito egípcio. Você deveria falar que é egípcio. Ah é, mas você não fala árabe. Inventa uma história, fala que seu pai é daqui mas sua mãe é brasileira, que você consegue uns preços mais baixos aqui em Khan-al-Khalili”

Anotada a dica. Assim que puder, entro num curso básico de árabe e vamos “copar” esse Oriente Médio!

Ao sairmos da região da feira, estamos no meio do Cairo Islâmico.

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Já era quase quatro horas e esse vendedor nos alertou que os  monumentos do Cairo Cóptico iam fechar às 4. Pegamos um táxi e fomos.

O taxista não falava quase nada de inglês. Mas ainda assim, tivemos uma animada conversa no carro, sobre futebol, carros velhos e as garotas do Cairo, do tipo: “Al-Ahly: good! Car: old! Girls: sugar!”

Tanto falava pouco de inglês quanto achou que tínhamos oferecido cinquenta (fifty) pela corrida. Na verdade, tínhamos oferecido quinze (fifteen) + 1 EGP de Baksheesh (gorjeta) que eu deixei. Uma moça na rua serviu de intérprete do mal-entendido. Deixamos cinco pounds a mais. 50, em todo caso, seria abusivo.

Chegamos ao Cairo Cóptico. Os cópticos são os cristãos do Egito. Mas a tradição deles é muito antiga: eles se separaram da Igreja de Roma no século 3, muito antes dos ortodoxos e dos protestantes. Os cópticos são os judeus do Egito: uma minoria (10%) , mas de alta importância por seu poder aquisitivo. Eles se dizem os autênticos descendentes dos egípcios da época dos faraós, de antes da conquista muçulmana. Eles usam um alfabeto parecido com o grego e têm um papa próprio, o Papa Shenouda III.

Igreja de São Sérgio e Baco (Saint Sergius and Bacchus). Acredita-se que a Sagrada Família descansou aqui no final de sua fuga ao Egito.

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Papa Shenouda III. Figuraça tanto no pessoal quanto no profissional. Olha a fera aí!

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Não podia faltar: um convento para São Jorge! Sempre soube que as freiras não vestiam preto e branco por acaso…

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Abaixo, a mais famosa igreja cóptica do Cairo, a Igreja Suspensa. A nave da Igreja é construída por cima de uma fortaleza romana, a mesma que é mostrada há duas figuras atrás.

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Parede do altar. Os detalhes brancos são de marfim.

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Era quase 5 da tarde e não tínhamos almoçado. Para onde vamos? Fast food! Abaixo, o logo da Pizza Hut em árabe.

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Saímos dali, atravessamos o trânsito suicida das ruas do Cairo  e fomos curtir o Nilo pela última vez.

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Por último, fomos ver a Cairo Tower, no bairro chique de Zamalek, uma ilha no Nilo.

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Vimos pela última vez o trânsito maluco do Cairo…

e voltamos felizes, satisfeitos e vivos.

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Mas não sem uma última aventura. Pegamos um ônibus até ao aeroporto, Postal, Cirando e Selau tiveram que pagar em dobro porque “ocuparam dois lugares” (deixaram suas mochilas no banco do lado)… e eis que não somos deixados no aeroporto.

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Tínhamos que descer num posto de gasolina. Um homem (procurador-geral, como mostravam suas credenciais) nos orientou a pegar uma van. Essa van também não nos deixou no aeroporto. Fomos a um terminal de ônibus, que tinha ônibus para três terminais do aeroporto, em linhas diferentes. Qual ônibus escolher? Perguntamos para o motorista, confiamos nele e felizmente deu certo. Mas que bagunça, quem garante que a AirBerlin vai pousar no Terminal 1 e não no 2? Já tive que pagar uma boa grana de táxi em São Petersburgo por causa disso…

E tem vôo para cada lugar massa daqui do Cairo!

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Mas, infelizmente, Adis Abeba e Cartum ficam para a próxima! Temos que voltar para a Alemanha!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Egito: segundo dia!

No segundo dia, iríamos partir para Alexandria às 10 da manhã. Então, acordamos cedo para tomar o café da manhã do hostel, às 8h30, e fomos,  com nossas passagens.

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Chegamos lá às 7h40 e mais uma surpresa: ninguém sabia de qual plataforma o trem iria partir. Chegamos no balcão de “Atendimento ao Consumidor” e a moça de véu muçulmano na cabeça falou para voltarmos em 10 minutos. Vinte minutos depois, a mesma resposta: “10 minutes”.  Depois… “10 minutes”. Sempre no mesmo esquema, tumulto na frente do balcão. Cansados de ir lá toda hora perguntar, seguimos uma egípcia que falou que também estava indo para lá e, quando ela saiu para pegar o trem (depois de um aviso sonoro), fomos atrás dela.

Ao chegarmos na plataforma, mistério: qual era o nosso vagão? Não parecia estar escrito em nenhum lugar. Apesar de os números egípcios serem diferentes dos nossos, nem isso víamos. Encontramos a mesma egípcia procurando o seu vagão e ela nos mostrou para onde devíamos ir.

Estávamos na primeira classe do trem mais rápido para Alexandria. Essa ida, mais uma volta de segunda classe, nos custaram… 75 EGP. Ou uns 11 euros. Quantia que na Alemanha não me permitiria nem ir e voltar a Neustadt, que fica a meia hora daqui, no trem mais barato.

O trem era bom. Confortável, com banco largo e reclinável, e café e chá sendo oferecidos várias vezes. Víamos vários outros turistas na mesma classe, dentre eles um turista com uma estranha bicicleta dobrável.

Nesse meio tempo, um canadense ali ficou nosso amigo e contou sobre suas andanças de 20 dias no Egito. Foi enfático: “I hate Cairo!”, ou: “Eu odeio o Cairo!”

Chegamos em Alexandria.

Abaixo, homem em tradicional túnica muçulmana.

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À saída da estação de trem, uma grande estátua… de quem era, não lembro mais!

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Após pedir informação a alguns egípcios, seguimos uma estreita rua cheia de lojas e movimento de pessoas e chegamos ao mar. O mar era muito bonito.

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Pouco após chegarmos já era umas 14h e estávamos com fome. A solução? McDonald’s, é claro. E qual não foi a nossa surpresa em ver que estavam passando uma reprise de Botafogo x Santos.

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Nesse meio tempo, ainda presenciamos duas mulheres brigando no meio da rua, puxando o cabelo, etc… mulher de véu vermelho vs. mulher de véu azul. Até a caixa do McDonald’s saiu para olhar e deu uma risada quando voltou. Eu devia ter tirado uma foto para registrar.

Fomos andando pela calçada da Avenida 26 de Julho até a Bibliotheca Alexandrina, inspirada na antiga biblioteca de Alexandria e que deve ter milhões de volumes no futuro. À beira da avenida, os prédios lembravam algo italiano, como Nápoles, embora o estado de conservação lembrasse que estamos em um país bem pobre.

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Alguns pescadores à beira do mar Mediterrâneo.

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Para onde ir?

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Essa é a nova Biblioteca de Alexandria, pronta apenas em 2002, próxima à localização da biblioteca original. Muito bonita, tem um espelho d’água na frente, uma passarela com paredes de vidro sobre a entrada que permite a visão da costa, e alfabetos de vários lugares do mundo representados. No futuro, a biblioteca deve abrigar até 3 milhões de volumes.

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Além da biblioteca, Alexandria também era conhecida no mundo antigo por seu farol. Hoje, no seu lugar está um forte: o Forte Qaitbey. Era bem longe, tínhamos pouco tempo, e resolvemos pegar um táxi. Que importa se somos cinco e o táxi tem quatro lugares? Damos um jeito!

Infelizmente fechava às 4h, e chegamos pouco depois disso. Mas o forte, visto de fora, já é imponente.

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À frente, havia uma feira de souvenirs egípcios. Comprei o tradicional ímã de geladeira para a minha mãe, agora já esperto e atento à necessidade de negociar todos os preços.

De fato era pouco tempo em Alexandria. Após visitar o forte, tomamos nosso caminho de volta à estação de trem. Não sem antes termos de dizer “não” várias vezes a um taxista insistente que oferecia seu táxi, chegou a descer do carro para oferecer, fingir que ia embora com o táxi… depois voltar com o carro novamente e nos perguntar se não queríamos o táxi. Aqui, há bem menos turistas que no Cairo.

Pensamos em visitar a Necrópole de Anfushi, mas era longe e não teríamos tempo. Voltamos pela avenida à beira-mar. No meio do caminho, garotos em um barco mandaram a mesma frase: “Welcome to Egypt!”

Abaixo, palmeiras presentes por todo Egito.

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Barcos de pescadores em Alexandria.

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Em Alexandria, também existem banhistas, guarda-sóis e vendedores de comida na praia! Mas aqui, se vende uma espécie de feijão, e não acarajé!

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Abaixo, a praça Midan Tahrir. Fonte e garotas de lenço.

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Procuramos um tempão por uma tal mesquita. Chegamos até meio que nos perdermos. Tentei falar um pouco de árabe com as pessoas, como “jaalaa” (mesquita), mas era uma faca de dois gumes: as pessoas começavam a responder em árabe, devagarzinho, como se eu fosse entender. De qualquer forma, é sempre algo que os locais costumam achar simpático.

Eis que a encontramos. Embaixo, haviam umas lojas funcionando… já pensou se as igrejas também fossem assim?

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Próximo à estação, parei para tomar um suco de laranja, onipresente em todo Egito. Digo sem medo de errar: o melhor suco de laranja que eu já tomei em minha vida. Azedinho na medida certa, doce na medida certa.

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Voltamos à mesma praça que vimos ao sair da estação. Nela, um homem alimentava uns gatos na praça.IMG_6144

E certas coisas são universais: crianças jogando bola.

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No Cairo, uma boa pergunta para animar qualquer conversa com taxista é: você é al-Ahly ou Zamalek? Al-Ahly x Zamalek é o clássico do Cairo. Inclusive, no dia seguinte, os caras do Al-Ahly estavam comemorando a vitória por 3 x 0 contra um time da Líbia, exatamente o que eles precisavam para se classificar à próxima fase da Copa da África. Alexandria também tem um time famoso, o Al-Ittihad.

Qual foi nossa surpresa, ao voltar para Alemanha, que no domingo tínhamos fugido de um calor de… 43°C no Cairo. Para efeito de comparação, no sábado e na segunda pegamos 36°C, e já não foi fácil.

À noite, saímos para um autêntico bar egípcio, com chá de menta e narguilê. Detalhe para a “mulher perfeita” ao fundo, segundo o Postal… haha SDC11739

Atrás da galera, o cartaz de um cinema egípcio.

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Na volta, a rua estava como cheia de neblina: mas era simplesmente poeira do deserto que invadia a cidade. Era difícil enxergar 50 metros à frente. Compramos uma cerveja egípcia, permitida apenas aos estrangeiros, já que os muçulmanos não podem beber nem comprar. Inclusive, ontem, depois de receber orientações de um egípcio sobre como chegar num lugar, ele me saiu com essa: “I help you, you help me. Can you buy wine for me in the duty free shop?? I give you ONE bottle! TWO bottles! ONE bottle for each of you!”: “Eu te ajudei, você pode me ajudar. Você pode comprar vinho pra mim no duty free? Eu compro uma garrafa para vocês! Duas! Uma para cada um!”

Ao voltarmos, vimos fumaça e movimento de bombeiros na Sharia Talaat Harb, rua onde ficava nosso albergue…  ao que alguém reconheceu “aquela confeitaria ficava embaixo do nosso hostel!”, e por último: “Sim, é o prédio do hostel que está pegando fogo!”. Essa foi a cara da gauchada ao chegar.

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Subimos as escadas do hostel no escuro, na luz dos celulares. Um gato descia as escadas do prédio sorrateiramente… o pessoal levou um susto.

Na recepção do hostel, perguntamos para o recepcionista (Mohammed) o que tinha acontecido. Ele disse que houve um incêndio numa loja de roupas no térreo e os bombeiros haviam cortado a luz por precaução. Ainda veio com a seguinte história: “sabe essa poeira toda na rua? É aquele vulcão que explodiu de novo… 20 aeroportos na Europa estão fechados!” Por um momento eu gelei, mas depois vi que era palhaçada dele.

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Abrimos a cerveja (abrir na rua seria péssima idéia), ficamos conversando bobagem por um tempo, esperando a luz voltar. Não voltou e fomos dormir sem luz e, pior… sem ar-condicionado.