No terceiro dia, nosso objetivo era conhecer o Cairo Islâmico e o Cairo Cóptico.
Pegamos um táxi e fomos até a Citadela de Saladin. Não há metrô para lá; embora pudéssemos descer na estação mais próxima e ir andando, certamente andaríamos bem uns 2 km no trânsito maluco do Cairo, ou seja: nem um pouco recomendável. Pegamos um táxi ali na Talaat Harb Street, negociamos um preço de uns 15 EGP para nós cinco, e fomos nessa.
À direita, a citadela; à esquerda, a cidade dos mortos, antigo cemitério do Cairo onde muitos pobres decidiram fixar residência e, segundo eles, vivem em perfeita harmonia com os que passaram para o lado de lá.

Pagamos uma pequena taxa, atravessamos os muros da citadela, e lá estava ela: a Mesquita de Mohammed Ali, um dos cartões-postais do Cairo. Aliás, é o mesmo que dizer que é a mesquita de João da Silva, no Brasil… porque o que tem de Mohammed e de Ali aqui não está no gibi.
O estilo da mesquita é otomano e é inspirado nas grandes mesquitas de Istambul.
A citadela fica num morro e foi sede do governo egípcio até o século 19.
Detalhe das colunas e do minarete.
É a partir dos minaretes (essas torres altas) das mesquitas que os muazzin chamam os muçulmanos para rezar para Alá, cinco vezes ao dia, com seus cânticos. Hoje, claro, isso não é feito mais por uma pessoa cantando bem alto, e sim por alto-falantes e sistemas de som. Os chamados à reza que podem ser ouvido de todos os cantos da cidade com certeza serão uma das nossas impressões mais vívidas do Cairo.
A esse horário, é batata: vêem-se vários muçulmanos prostrados nos jardins, até mesmo na rua, testa encostada no chão, rezando para Alá. Infelizmente não tirei fotos, não é algo muito amistoso de se fazer (para não dizer que é algo completamente sem noção).
Do alto da citadela, próximo à mesquita previamente citada, tem-se uma visão panorâmica do Cairo. Não é possível apoiar-se sobre o muro para tirar fotos (tiramos a uma distância de um metro da batente do muro). Para atravessar a cordinha e tirar mais de perto, o que se precisa? Sim, uma gorjeta para o guardinha! O universal baksheesh.
À direita, a mesquita do Sultão Hassan. Veja como prédios sem reboco são a norma na cidade. Aliás, os prédios parecem constantemente sujos de poeira: natural, quando há poeira do deserto no ar o ano inteiro.
Tiramos os sapatos e entramos na mesquita. Abaixo, o pátio.
Essa mesquita parece um caixote gigante. Aparentemente, aqui também deve funcionar uma madrassa, uma das famosas escolas do Corão.
Dentro, as imagens são insólitas para pagãos ocidentais infiéis neo-liberais e imperialistas.
E viva o timer da câmera!
Iluminado por Alá. Infelizmente tinha alguém entre a luz de Alá e eu…
Uma vista da mesquita a partir de outro ângulo. Legais as cúpulas brancas.
Andando pela citadela, vemos muralhas,…

… jardins, …
um pequeno museu militar,….
uma representação sobre as eras do Egito e seus respectivos heróis, …
E mais outra mesquita, a mesquita de Suleiman Pasha. O bom desse passeio na citadela é que fugimos do tumulto do Cairo e dos vendedores insistentes: ali, havia poucos turistas.
Não, abaixo não é um imã muçulmano comandando o culto.
Tumbas otomanas na parte de trás da mesquita.
Saímos da citadela e fomos agora para o mercado de Khan-al-Khalili, feira mais famosa do Cairo. Aqui é o típico bazar árabe: muitas quinquilharias, artigos de artesanato, muita negociação, e vendedores muito (eu disse MUITO) insistentes e velhacos, como diz meu pai.
Hoje em dia, acho que se tornou apenas um point para turistas, mesmo.

E a negociação aqui é forte. Quando o vendedor vê que você é turista, joga o preço lá em cima. Uma ocasião, estava procurando uma miniatura de Nefertite lá para casa. Depois de negociar em várias lojas, sabia que o preço não deveria ser mais que 30-40 EGP. Eis que chego em uma, e o vendedor lança o preço inicial: “150 EGP!!!!”, vendo que era estrangeiro, com um baita guia escrito “Egypt” na mão e falando Inglês.
Ao que faço que vou embora, chega outro vendedor da mesma loja, que percebeu que eu tinha noção dos preços, e corrige: “Não, não, é 50 EGP”. Ah, tá…
Por outro lado, tive a confirmação nessa viagem de que realmente tenho cara de árabe. Cheguei numa barraca (já sem o guia Egypt na mão), o vendedor não estava, e veio um me avisar em árabe. Depois, começamos a falar com um vendedor muito gente boa -- o mesmo que contou para a gente dos preços do passeio de camelo – que mandou essa: “Você parece um perfeito egípcio. Você deveria falar que é egípcio. Ah é, mas você não fala árabe. Inventa uma história, fala que seu pai é daqui mas sua mãe é brasileira, que você consegue uns preços mais baixos aqui em Khan-al-Khalili”
Anotada a dica. Assim que puder, entro num curso básico de árabe e vamos “copar” esse Oriente Médio!
Ao sairmos da região da feira, estamos no meio do Cairo Islâmico.



Já era quase quatro horas e esse vendedor nos alertou que os monumentos do Cairo Cóptico iam fechar às 4. Pegamos um táxi e fomos.
O taxista não falava quase nada de inglês. Mas ainda assim, tivemos uma animada conversa no carro, sobre futebol, carros velhos e as garotas do Cairo, do tipo: “Al-Ahly: good! Car: old! Girls: sugar!”
Tanto falava pouco de inglês quanto achou que tínhamos oferecido cinquenta (fifty) pela corrida. Na verdade, tínhamos oferecido quinze (fifteen) + 1 EGP de Baksheesh (gorjeta) que eu deixei. Uma moça na rua serviu de intérprete do mal-entendido. Deixamos cinco pounds a mais. 50, em todo caso, seria abusivo.
Chegamos ao Cairo Cóptico. Os cópticos são os cristãos do Egito. Mas a tradição deles é muito antiga: eles se separaram da Igreja de Roma no século 3, muito antes dos ortodoxos e dos protestantes. Os cópticos são os judeus do Egito: uma minoria (10%) , mas de alta importância por seu poder aquisitivo. Eles se dizem os autênticos descendentes dos egípcios da época dos faraós, de antes da conquista muçulmana. Eles usam um alfabeto parecido com o grego e têm um papa próprio, o Papa Shenouda III.
Igreja de São Sérgio e Baco (Saint Sergius and Bacchus). Acredita-se que a Sagrada Família descansou aqui no final de sua fuga ao Egito.
Papa Shenouda III. Figuraça tanto no pessoal quanto no profissional. Olha a fera aí!
Não podia faltar: um convento para São Jorge! Sempre soube que as freiras não vestiam preto e branco por acaso…
Abaixo, a mais famosa igreja cóptica do Cairo, a Igreja Suspensa. A nave da Igreja é construída por cima de uma fortaleza romana, a mesma que é mostrada há duas figuras atrás.
Parede do altar. Os detalhes brancos são de marfim.
Era quase 5 da tarde e não tínhamos almoçado. Para onde vamos? Fast food! Abaixo, o logo da Pizza Hut em árabe.
Saímos dali, atravessamos o trânsito suicida das ruas do Cairo e fomos curtir o Nilo pela última vez.
Por último, fomos ver a Cairo Tower, no bairro chique de Zamalek, uma ilha no Nilo.
Vimos pela última vez o trânsito maluco do Cairo…
e voltamos felizes, satisfeitos e vivos.
Mas não sem uma última aventura. Pegamos um ônibus até ao aeroporto, Postal, Cirando e Selau tiveram que pagar em dobro porque “ocuparam dois lugares” (deixaram suas mochilas no banco do lado)… e eis que não somos deixados no aeroporto.
Tínhamos que descer num posto de gasolina. Um homem (procurador-geral, como mostravam suas credenciais) nos orientou a pegar uma van. Essa van também não nos deixou no aeroporto. Fomos a um terminal de ônibus, que tinha ônibus para três terminais do aeroporto, em linhas diferentes. Qual ônibus escolher? Perguntamos para o motorista, confiamos nele e felizmente deu certo. Mas que bagunça, quem garante que a AirBerlin vai pousar no Terminal 1 e não no 2? Já tive que pagar uma boa grana de táxi em São Petersburgo por causa disso…
E tem vôo para cada lugar massa daqui do Cairo!

Mas, infelizmente, Adis Abeba e Cartum ficam para a próxima! Temos que voltar para a Alemanha!